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Eras império

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  Análise Literária: A Ciclicidade do Poder em "Matéria Perecível" (Análise do poema e arte: GEMINI) Matéria perecível "Impérios, por eras ruíram. Roem as eras novos impérios, por ora." (Antenor Emerich Direitos devassados)        O poema "Matéria Perecível", de Antenor Emerich, apresenta uma reflexão profunda e concisa sobre a natureza efêmera das construções humanas e a inexorabilidade do tempo. Através de uma estrutura minimalista, o autor explora o conceito de impermanência aplicado às maiores estruturas de poder: os impérios.        1. A Transitoriedade da Matéria        O título "Matéria Perecível" estabelece imediatamente a premissa de que nada físico ou estrutural é eterno. Ao associar impérios — entidades que buscam a imortalidade histórica — à "matéria", o autor os reduz à sua condição biológica e física básica, sujeita à decomposição e ao esquecimento.        2. O Tempo como Agente Erosivo ...

Lobos na noite escura

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Diz que quer correr com lobos. Tem pernas? É selvagem pra isso ou ainda cultiva ideias de doma, como se a doçura pudesse negociar com a velocidade da fera? Quer andar com lobos e pernoitar em clareiras. — Quer pernoitar? Correr na noite crua, na treva sem lua. Pés na terra, enquanto algo rasteja à margem de um caminho que não existe. Quer correr com lobos? Já ficou sozinha no nada, sem ver a noite, ouvindo grunhidos vindo de todos os lados? Quer correr com lobos sem saber para onde eles vão? Quer? (Antenor Emerich)

Por Amor - Antenor Emerich

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O terapeuta esperava uma resposta. Ela olhava para o encontro entre o chão e a parede. Uma esquina comprida, pensava. — O que você esconde? — quis saber o homem. Ela parecia saber, mas não sabia onde estava a resposta. Olhou a hora. Não sabia quanto tempo havia se passado desde que entrara naquela sala, mas ainda era cedo. Seu marido estava trabalhando. Nem desconfiaria de que ela saíra para consultar-se com um terapeuta. Ela já não se importava como antes. Nem mesmo perguntava se estava tudo bem. Cinco anos de casada — e já parecia uma eternidade. Quando se conheceram, ela se apaixonara pelo homem incrivelmente cuidadoso que ele era. Atento a todos os detalhes de sua vida. Descobria os menores gestos, fazia de tudo para lhe agradar. Ele preenchia todos os espaços. Sempre sabia de tudo. Amoroso, atencioso, nada lhe escapava. Ela se sentia mais que amada. Sentia-se protegida. E ele queria o mesmo que ela sempre quis: casar. Foi um lindo casamento. Convidados, cerimônia, rece...

3I/ATLAS - A nave cometa

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Nos últimos setenta ciclos, a estrela Thaar, mãe do sistema sha’luuniano, entrara num colapso interno. Bolhas de instabilidade nuclear, dilatação irregular do núcleo, prenúncio de morte estelar. A previsão era clara: supernova inevitável. E quando Thaar explodisse, todos os mundos ao redor desapareceriam. ________Um conto de ficção científica de Antenor Emerich A nave Cometa surgiu silenciosa na borda externa do Sistema Solar, envolta em um disfarce de poeira e gelo artificial que a fazia parecer um cometa legítimo aos telescópios humanos. Era assim que a tripulação de Sha’Luun preferia operar: invisível, discreta e totalmente indetectável para a população da Terra. Ninguém poderia saber que aquele cometa brilhante no céu não era uma rocha errante — mas uma máquina alienígena sofisticada. Seu objetivo era simples e desesperado: estudar as explosões de plasma do nosso Sol para salvar a estrela deles, prestes a explodir. A única esperança estava aqui — no nosso Sol, que atravessava uma f...

Fábula da Garça velha

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Crônica de Antenor Emerich Quando estava na terceira série, das séries iniciais, lia o livro de Português inteiro. Chamaram minha atenção as estórias das Reinações de Narizinho e, em especial, as fábulas. Uma delas me marcou profundamente: a de uma garça já velha e cansada, que pescava em um lago antigo, já um tanto “tordado” — sujo, lamacento — dificultando sua vida, pois com a visão turva não conseguia mais enxergar os peixes direito. Um dia, a velha garça, astuta e experiente, passou a falar de um lago distante, maravilhoso, onde a água era límpida, insípida e inodora. A notícia correu entre os habitantes do lago, e logo uma discussão se formou. A questão mais complicada e intransponível era: como a população poderia migrar para outro lago? Imediatamente, a velha garça se ofereceu para ajudar, levando todos do lago “tordado” para o lago limpo. E assim aconteceu, para a alegria e comodidade da garça, que voltou a se alimentar sem grande esforço. Não gosto de fábulas com moral pré-det...
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 Paixão descarada  ______________________________________________por Antenor Emerich Conhecidos me avisaram para não chegar mais perto dela, que eu não ligasse para ela; que sequer passasse na rua dela pois até o vigia da rua estava de alerta pois fora avisado de que eu estava terminantemente proibido de passar na frente da casa dela.  Uma conhecida em particular me aconselhou com veemência que eu ficasse longe dela pois o mundo desabaria sobre mim se me atrevesse a passar perto dela novamente. Irritado com aquele alvoroço das pessoas ao meu redor eu dobrei a aposta:  - pois te garanto que fico com ela de novo. Minha amiga suspirou profundamente e com algum pesar na voz encerrou o assunto: - meu amigo, fostes avisado. Passado algumas semanas eu estava na pizzaria com uma multidão de amigos, música, violão, azaração e muito vinho bom. O frio congelava os ossos mas o vinho rebatia o frio, aquecia o coração e expulsava o juízo do cérebro, a saudade batia forte, tentei r...

O Guerreiro

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Conto de Antenor Emerich  “Assim que o último inimigo tombou sem vida, varado pelo aço frio de sua espada, virou as costas para o campo de batalha, embainhou sua lâmina afiada, e cansado de sangue e morte, tomou o rumo de casa.              Seu corpo grande e largo alcançou penando o seu cavalo, triste e gelado, como um zumbi consciente. Juntando as últimas forças que lhe restavam, subiu sobre o lombo do animal.            Puxou a rédea em direção ao sol nascente e cutucou decidido a virilha do macho; velho companheiro de estrada, entendeu que aquele era o sinal de que estavam a caminho do lar, e seguiu num passo lento a grande jornada de volta.             O guerreiro olhava a sua volta, sem mover a cabeça e os olhos; via desolação, corrupção, trevas, silêncio de sepulcro, mortos velando mortos; quem pode ser vencedor enquanto houver guerra? Nem um anjo d...