Paixão descarada
______________________________________________por Antenor Emerich
Conhecidos me avisaram para não chegar mais perto dela, que eu não ligasse para ela; que sequer passasse na rua dela pois até o vigia da rua estava de alerta pois fora avisado de que eu estava terminantemente proibido de passar na frente da casa dela.
Uma conhecida em particular me aconselhou com veemência que eu ficasse longe dela pois o mundo desabaria sobre mim se me atrevesse a passar perto dela novamente. Irritado com aquele alvoroço das pessoas ao meu redor eu dobrei a aposta:- pois te garanto que fico com ela de novo.
Minha amiga suspirou profundamente e com algum pesar na voz encerrou o assunto:
- meu amigo, fostes avisado.
Passado algumas semanas eu estava na pizzaria com uma multidão de amigos, música, violão, azaração e muito vinho bom. O frio congelava os ossos mas o vinho rebatia o frio, aquecia o coração e expulsava o juízo do cérebro, a saudade batia forte, tentei resistir a tentação, fui forte até as duas e meia da Madrugada quando peguei o celular e cliquei no nome dela, disse que sabia tudo o que estava acontecendo mas que a falta dela doía no meu coração, que cinquenta por cento dos meus pensamentos era dela. Ela respirou ofegante por alguns segundos e com voz mais macia do mundo disse:
vem! Mas tome cuidado.
O frio era intenso, uma cerração gelada cobria a cidade que dormia. A pé com um gorro felpudo na cabeça e com um casa de lã que cobria do pescoço aos pés tomei o rumo da fonte da minha paixão e desejo. Aquecia o frio pensando nela, no sorriso sereno dos seus lábios pequenos, no som som suave da sua voz melodiosa, lembrando seus olhos que piscavam acelerados toda vez que me via.
Caminhando rente aos muros para não ser visto pelo vigia alcancei a rua da casa dela e tornei a ligar para ela “estou chegando”. Com a voz rouca e falando baixinho para nem os espíritos ouvirem disse “pula o portão, a porta já deixei aberta”. O portão de metal tinha dois metros de altura, mas pulei num salto como um ninja, entro pela porta e fui levitando para o quarto dela.

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