Fábula da Garça velha

Crônica de Antenor Emerich


Quando estava na terceira série, das séries iniciais, lia o livro de Português inteiro.



Chamaram minha atenção as estórias das Reinações de Narizinho e, em especial, as fábulas. Uma delas me marcou profundamente: a de uma garça já velha e cansada, que pescava em um lago antigo, já um tanto “tordado” — sujo, lamacento — dificultando sua vida, pois com a visão turva não conseguia mais enxergar os peixes direito.


Um dia, a velha garça, astuta e experiente, passou a falar de um lago distante, maravilhoso, onde a água era límpida, insípida e inodora.


A notícia correu entre os habitantes do lago, e logo uma discussão se formou. A questão mais complicada e intransponível era: como a população poderia migrar para outro lago?


Imediatamente, a velha garça se ofereceu para ajudar, levando todos do lago “tordado” para o lago limpo. E assim aconteceu, para a alegria e comodidade da garça, que voltou a se alimentar sem grande esforço.


Não gosto de fábulas com moral pré-determinada, mas algumas ficaram gravadas em minha memória. Esta, em particular, me ensinou algo valioso: nunca aceite conselhos de inimigos.


Eu tinha oito anos quando li isso, mas o sentido daquela lição permanece tão claro até hoje.

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